Skip to content

Charlie Chaplin e o Desfile de Galliano

junho 30, 2010

É uma difícil missão tentar explicar o cinema mudo sem contar com o nome de Charlie Chaplin. Imortalizado na imagem do vagabundo, Chaplin é talvez o mais importante diretor, ator, produtor, roteirista, músico e dançarino que Hollywood já vira.

Em 1919, juntamente com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D.W. Griffith fundou a United Artists, pela qual produziu diversos de seus filmes. Passou pela transição da chegada do som em 29, mas não se rendeu em dar voz ao vagabundo (embora tenha utilizado alguns recursos sonoros em filmes futuros).

Chaplin revelera que seu filme preferido foi “Em Busca do Ouro” (1925), no qual o vagabundo tenta a sorte na corrida do ouro no Alasca em 1898. De fato ele possui diversas cenas memoráveis, como a famosa dança dos pãezinhos e Carlito comendo as botas. “Luzes da Cidade“, no entanto, ganha o meu voto de melhor trabalho de Chaplin pela sensibilidade que o nosso gênio atinge. No filme, o vagabundo se apaixona por uma vendedora de flores cega, que o confundi com um milionário. No desenrolar da trapalhada trama, Carlito consegue pagar a cirurgia para a moça voltar a enxergar, apesar de ser preso. Um tempo depois ele a encontra em uma loja de flores, ela o entrega uma flor, ele encosta em sua mão, ela então o reconhece – Você? – ela diz, – Você pode ver agora? – diz ele, – sim, eu posso ver agora -. Uma das melhores cenas do cinema!

Luzes da Cidade, 1931

Em 1940, Chaplin realiza o seu filme mais crítico. “O Grande Ditador” mostra uma estereotipação de Adolf Hitler e trás uma mensagem de paz no final. É difícil falar de todos os meus filmes preferidos de Chaplin, “Tempos Modernos” talvez seja o mais famoso, pelo seu conteúdo histórico e análise sociológica. No entanto, o conjunto de sua obra é uma das mais importantes na contribuição da história do cinema. A Academia a reconhecera em 72. Após 20 anos de exílio, Chaplin volta aos EUA para receber um Oscar Honorário, sem nenhum remorso e muito emocionado diz “Vocês são maravilhosos“. O mais longo aplauso que a premiação já vira arranca lágrimas de qualquer cinéfilo.


Chaplin, Chaplin, Chaplin e chegamos ao desfile de John Galliano na semana de moda masculina de Paris. Foi essa a inspiração para a Primavera/Verão do teatral designer. Um enorme relógio descendo no meio da passarela trás uma sósia de Charlie Chaplin em volta de uma nuvem de fumaça. Vento, o barulho de tempestade e jornais velhos voam pela passarela dando início ao sombrio desfile de Galliano.


Não tão como o vagabundo em sí, as roupas revelam quase prostitutas masculinas (nas palavras da GQ). Calças saruel, detalhes em xadrez, coturnos e a desconstrução da alfaiataria atingindo ao máximo a elegância nas roupas largas.

Outro homenageado da estação foi Buster Keaton. Também da era do cinema mudo, um pouco menos conhecido do que Chaplin, mas bastante influente entre os cineastas. Keaton, o palhaço triste, ou o homem que nunca ri, levava sempre o chapéu de barqueiro. E lá estavam, os casacões ajustados ao corpo, as gravatas pretas em camisas sem colarinho. O showman conseguiu fazer um belo espetáculo homenageando o cinema mudo fazendo moda em Paris. Ponto pra ele.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: