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Bonequinha de Luxo

junho 22, 2010
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É impossível negar que uma das inspirações para a criação deste blog não tenha sido a inesquecível obra de Blake Edwards, “Bonequinha de Luxo“. Na cena de abertura do filme, Audrey Hepburn desce de um táxi em uma 5º Avenida vazia trajando um vestido preto desenhado por Givenchy. Em frente à joalheria Tiffany’s, a garota de programa toma um café expresso e come um croissant. Sob o amanhecer  de Nova York e ao som da trilha de Henri Mancini, “Moon River” ecoa dentro da gente e daí percebemos: “Que filmasso!”.

O filme de 61, dirigido por Edwards, é uma suavização do Best Seller de Truman Capote. No livro, Holly Golightly é uma garota de programa com tendências à bissexualidade, diga-se de passagem. No filme, ela vive uma acompanhante de luxo, que ganha presentes e 50 dólares para ir ao toilet (como assim né?).

Vivendo em um pequeno, e bagunçado, apartamento no Upper East Side Holly dá festas aos It People de Nova York, vai a restaurantes badalados como o 21 Club e bebe bastante… vive das aparências. A complexidade do personagem explorada com perfeição por Hepburn nos incomoda. Talvez por escancarar as nossas fragilidades enquanto pessoas ambiciosas e passíveis de erros.

É interessante em “Capote“, filme que conta um pouco a história do escritor,  observar o meio em que ele estava envolvido. São praticamente as mesmas pessoas descritas em seu livro e representadas, de uma maneira mais cômica, no filme. Capote faz uma análise sociológica de um grupo muito específico que ainda habita a cidade das luzes (leiam “Sex and the City“).

A história tem uma mudança quando Paul Varjak (George Peppard), um gigolô/escritor mal sucedido e vizinho de Holly, se vê apaixonado por ela. O paradoxo em que Holly se encontra a faz desesperar. Viver de amor ou continuar a procura de milionários que possam lhe dar uma vida boa?

No filme, a parceria de Hubert de Givenchy e Hepburn atingira seu auge. O vestidinho preto se tornou ícone e não esmaeceu com o tempo. No entanto, foi Edith Head quem desenhou todo o figurino masculino. Os ternos de Peppard transmitiam a imagem de seu personagem: elegante gigolô e casual escritor.

Em uma época em que contar a história de uma prostituta dava dor de cabeça aos censores, Edwards conseguiu driblar o que se tornaria um filminho chato e cômico demais, e transformar a história de Capote em um dos dramas românticos mais deliciosos e inesquecíveis que Hollywood já vira.

Eu às vezes enxergo certos filmes como pinturas em movimento, “Bonequinha de Luxo” foi um dos primeiros que eu assisti dessa forma. Fica abaixo alguns stills do filme:

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